Herança e imóvel irregular

Inventário de Imóvel Não Regularizado

O falecido deixou uma casa, terreno, propriedade rural ou outro imóvel, mas a documentação não está regular? Mesmo quando o imóvel está sem escritura, em nome de terceiro ou foi adquirido apenas por contrato, é necessário analisar quais direitos o falecido possuía sobre aquele patrimônio e como eles poderão ser tratados no inventário.

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Análise do inventário, da matrícula e dos documentos relacionados ao imóvel.

Sucessão e regularização

É possível fazer inventário de imóvel não regularizado?

A existência de uma irregularidade imobiliária não significa, por si só, que o patrimônio deixado pelo falecido deva ser ignorado no inventário.

Primeiro é necessário verificar qual direito ele efetivamente possuía. Ele poderia ser proprietário registrado, comprador por contrato, titular de direitos aquisitivos, possuidor do imóvel ou sucessor de outra pessoa cuja regularização nunca foi concluída.

A partir dessa identificação, é possível analisar como esses direitos devem aparecer no inventário e quais medidas de regularização imobiliária poderão ser necessárias.

Inventário e regularização do imóvel não são necessariamente a mesma etapa

Em determinados casos, o inventário transmite aos herdeiros os direitos que o falecido possuía sobre o imóvel.

Se a propriedade ainda não estava formalmente registrada em nome dele, outra providência pode ser necessária para regularizar posteriormente a matrícula.

Problemas comuns

Quais irregularidades podem aparecer durante o inventário?

Muitas famílias descobrem problemas na documentação imobiliária somente depois do falecimento de quem administrava o patrimônio.

01

Imóvel só com contrato

O falecido comprou a propriedade, mas nunca concluiu a escritura ou o registro em seu próprio nome.

02

Matrícula em nome de terceiro

A família utiliza o imóvel, mas a matrícula continua indicando um proprietário anterior.

03

Posse antiga

O falecido ocupava e utilizava o imóvel há muitos anos, mas nunca obteve um título registrado.

04

Inventário anterior não realizado

O imóvel já veio de outra herança que também nunca foi formalmente regularizada.

05

Construção irregular

O terreno pode estar registrado, mas a casa, ampliação ou outra edificação não consta na matrícula.

06

Divergências na matrícula

Área, medidas, confrontações ou outras informações do imóvel podem estar incorretas ou desatualizadas.

Bens e direitos

O imóvel não estava no nome do falecido. O que entra no inventário?

Nessa situação, a análise deixa de considerar apenas a propriedade formal e passa a verificar os direitos que o falecido possuía sobre o bem.

Imagine que uma pessoa tenha comprado um imóvel, pago integralmente o preço e recebido a posse, mas nunca tenha registrado a propriedade em seu nome.

Quando ela falece, não é adequado simplesmente tratar aquela situação como se o negócio nunca tivesse existido.

Contratos, recibos, comprovantes de pagamento, documentos de posse e a situação registral precisam ser avaliados para identificar quais direitos integram o patrimônio sucessório.

Depois da sucessão, esses direitos podem exigir outro procedimento para que a propriedade seja finalmente regularizada.

Dependendo do caso, podem existir:

Direitos decorrentes de contrato de compra e venda.
Direitos aquisitivos sobre o imóvel.
Direitos decorrentes de cessões anteriores.
Direitos possessórios.
Direitos hereditários provenientes de sucessão anterior.
Propriedade registrada com alguma pendência documental.
Como analisar

Como funciona o inventário quando o imóvel está irregular?

O primeiro passo é reconstruir a situação jurídica do imóvel e identificar qual era a relação do falecido com a propriedade.

1

Documentação

Reunião da matrícula, contratos, recibos, escrituras e documentos relacionados ao imóvel.

2

Identificação do direito

Análise para verificar se o falecido possuía propriedade, direitos aquisitivos, posse ou outra posição jurídica.

3

Inventário

Tratamento dos bens e direitos sucessórios conforme a situação patrimonial identificada.

4

Regularização

Quando necessário, adoção do procedimento imobiliário adequado para buscar a regularização definitiva da propriedade.

Após a análise

Qual procedimento pode ser necessário para regularizar o imóvel?

O inventário pode ser apenas uma das etapas. O procedimento imobiliário necessário depende da origem da irregularidade.

Registro da partilha

Quando o imóvel já estava corretamente registrado em nome do falecido, a sucessão poderá resultar na atualização da titularidade perante o Registro de Imóveis.

Adjudicação compulsória

Pode ser analisada quando existia negócio de compra e venda, mas a transferência da propriedade não foi concluída.

Usucapião

Dependendo do histórico e das características da posse, pode ser necessário avaliar a possibilidade de regularização por usucapião.

Retificação de matrícula

Erros relacionados à área, medidas, confrontações ou outros dados podem exigir correção registral.

Averbação de construção

Quando o terreno está registrado, mas a casa ou outra edificação não aparece na matrícula, pode ser necessária averbação.

Regularização de inventários anteriores

Em algumas famílias, o imóvel passou por mais de uma geração sem atualização, exigindo análise da cadeia sucessória.

Atenção à matrícula

O inventário não regulariza automaticamente um imóvel que nunca esteve no nome do falecido

Esse é um dos pontos mais importantes nessas situações.

O inventário identifica e transmite o patrimônio e os direitos deixados pelo falecido aos sucessores.

Porém, se a matrícula ainda estiver em nome de um antigo vendedor, proprietário anterior ou outra pessoa, pode existir uma etapa adicional de regularização.

A solução depende de como o imóvel foi adquirido, dos documentos existentes e do histórico da posse e das transmissões anteriores.

Por isso, é importante verificar:

Quem aparece atualmente como proprietário na matrícula.
Como o falecido adquiriu ou passou a ocupar o imóvel.
Se existe contrato de compra e venda.
Se o preço foi integralmente pago.
Há quanto tempo existe a posse.
Se existem sucessões anteriores pendentes.
Qual procedimento pode completar a regularização.
Documentação

Quais documentos podem ajudar na análise?

Mesmo documentos antigos podem ser importantes. Envie aquilo que a família possui para que seja possível reconstruir o histórico do imóvel e da aquisição.

Certidão de óbito.
Matrícula atualizada do imóvel.
Escritura, quando existente.
Contrato de compra e venda.
Recibos e comprovantes de pagamento.
Documentos relacionados à posse.
Inventários ou partilhas anteriores.
Documentos dos herdeiros.
IPTU, ITR ou outros cadastros existentes.
Outros contratos ou documentos antigos do imóvel.
Rejane Brito Advogada • Direito Imobiliário
Direito Imobiliário

Assessoria jurídica para inventário de imóvel não regularizado

A Dra. Rejane Brito atua em Direito Imobiliário, auxiliando famílias e herdeiros na análise de propriedades que chegam ao inventário com problemas documentais ou registrais.

O trabalho começa pela identificação da situação jurídica do imóvel e dos direitos que o falecido possuía sobre o patrimônio.

A partir dessa análise, é possível avaliar como o bem ou os direitos devem ser tratados no inventário e quais medidas de regularização imobiliária podem ser necessárias.


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Dúvidas frequentes

Perguntas sobre inventário de imóvel não regularizado

É possível fazer inventário de imóvel não regularizado?
A irregularidade do imóvel não significa automaticamente que os direitos existentes devam ficar fora do inventário. É necessário verificar qual era a relação jurídica do falecido com o bem e quais documentos comprovam essa situação.
O imóvel não estava no nome do falecido. Pode entrar no inventário?
É necessário analisar quais direitos o falecido possuía. Dependendo do caso, podem existir direitos decorrentes de contrato, aquisição, cessão, posse ou outra relação jurídica que precise ser considerada na sucessão.
O falecido tinha apenas contrato de compra e venda. O que fazer?
Devem ser analisados o contrato, os comprovantes de pagamento, a matrícula e a situação do vendedor. Depois do tratamento sucessório, pode ser necessário outro procedimento para concluir a transferência da propriedade.
É possível inventariar direitos sobre um imóvel?
O inventário pode abranger não apenas bens formalmente registrados, mas também direitos que integravam o patrimônio do falecido, desde que sua existência e titularidade possam ser demonstradas.
O inventário coloca automaticamente o imóvel no nome dos herdeiros?
Quando existe uma cadeia registral regular, a partilha pode servir de título para a atualização da propriedade. Porém, se o imóvel nunca esteve registrado em nome do falecido, outra medida pode ser necessária para concluir a regularização.
Posse de imóvel pode ser transmitida aos herdeiros?
Situações possessórias podem integrar a análise sucessória. É necessário verificar a origem, o período, os documentos existentes e as características daquela posse.
Os herdeiros podem fazer usucapião do imóvel deixado pelo falecido?
Em determinadas situações, pode ser possível analisar a regularização por usucapião. A viabilidade depende do histórico da posse e dos requisitos jurídicos da modalidade aplicável.
E se o vendedor do imóvel também já tiver falecido?
A situação precisa ser analisada considerando tanto a sucessão do comprador quanto a situação da pessoa que deveria realizar a transferência. Dependendo do caso, podem existir medidas específicas para buscar a regularização.
Existe imóvel de duas ou três gerações sem inventário. É possível regularizar?
Essas situações exigem a reconstrução da cadeia sucessória e documental para identificar quais transmissões ficaram pendentes. A existência de sucessões antigas não significa, por si só, que a regularização seja impossível.
Inventário pode ser feito em cartório?
A legislação permite inventário por escritura pública quando atendidos os requisitos aplicáveis à via extrajudicial. A escolha entre inventário judicial ou extrajudicial deve considerar as características concretas da sucessão.
Quais documentos devo apresentar primeiro?
Certidão de óbito, matrícula do imóvel, contratos, escrituras, recibos, documentos de posse, documentos dos herdeiros e eventuais inventários anteriores ajudam na análise inicial.

O imóvel deixado pela família está irregular?

Envie a matrícula, contratos e documentos disponíveis para apresentar a situação. A análise permitirá identificar quais direitos integram a sucessão e quais providências podem ser necessárias para buscar a regularização do imóvel.

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